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Domingo, 20 de Maio de 2007

"MAR ADENTRO" E A EUTANÁSIA

Ramón Sampedro viajou por todo o mundo como marinheiro. Conhecia o mar como ninguém, mas um dia a sorte atraiçoou-o. Num mergulho igual a tantos outros, bateu com a cabeça num fundo de areia, ficando tetraplégico.

Fica nesta situação 28 anos, 28 anos de cama sem conseguir mexer nada abaixo do pescoço, 28 anos de luta contra o que acreditava ser o seu direito, ter uma morte digna.

Mar Adentro conta-nos muito mais do que a “simples” história de um homem tetraplégico, fala-nos do desespero deste homem que sente que já viveu tempo demais e não quer ser um peso durante o resto da sua vida para a sua família. Os familiares não compreendem a vontade de Ramón porque o amam e não o querem perder.

O filme conta-nos como duas mulheres entram na vida de Ramón, uma é a advogada que apoia a sua causa, e outra tenta a todo o custo fazer crer a Ramón que vale a pena viver. No entanto, Ramón não procura alguém que o ame para o prender à vida, procura alguém que o ame a ponto de o ajudar a morrer.

Tudo isto é misturado num cocktail de emoções fortes, que nos levam a ponderar até que ponto uma pessoa tem ou não direito a decidir acerca da sua vida? Porque é que este homem não pode morrer, se é essa a sua vontade?

Porque é que a lei já permite que se mande na vida de outro ser, através da legalização da interrupção voluntária da gravidez, e não permite que uma pessoa, imensamente limitada como Ramón, dependente de cuidados alheios, possa decidir que quer morrer? A eutanásia é um tema controverso que continuará, certamente, a suscitar muita discussão.

publicado por Dreamfinder às 21:29

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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

O SANGUE

 

 

O sangue é um líquido orgânico viscoso de cor vermelha, constituído por uma parte líquida – o plasma, e por elementos figurados em suspensão – eritrócitos, leucócitos e trombócitos, impelido pelo coração em circuito fechado através das artérias, capilares e veias.

Considerado, do ponto de vista histológico, como um tecido (tecido sanguíneo), e do ponto de vista fisiológico como um órgão, o sangue assegura grande número de funções: fornecimento de oxigénio aos tecidos por intermédio da hemoglobina dos eritrócitos, bem como das substâncias nutritivas indispensáveis; transporte dos resíduos até aos órgãos excretores – rins, pulmões,…; transporte das hormonas, vitaminas e certas enzimas; manutenção do equilíbrio humoral e da temperatura; defesa imunitária.

A massa sanguínea representa aproximadamente 1/13 do peso total do corpo, sendo a proporção do volume dos elementos figurados no sangue total, o hematócrito, normalmente próximo de 45%.

 

 

 O sangue em Portugal é um dos mais seguros em todo o mundo. Somos auto-suficientes em termos de doação e uso de sangue desde o Verão de 2006, registando-se cerca de mil doações diárias.

No entanto é preciso manter e até mesmo aumentar as doações, porque também as necessidades deste têm tendência para ir aumentando. Felizmente no nosso país ninguém morre por falta de sangue, ou deixa de fazer uma intervenção cirúrgica por esse mesmo motivo.

O sangue é vida, como argumento temos o caso do bebé prematuro na Grã-Bretanha, que nasceu apenas com 23 semanas de gestação e pesava 620 gramas. Os médicos não lhe davam mais de 24 horas de vida. Mas conseguiu sobreviver, depois de ter sido submetido a seis operações e a “50” transfusões de sangue.

Hoje, Kaven tem dez meses de vida e pesa 6,8 quilos. Um pequeno milagre da medicina.

 

publicado por Dreamfinder às 12:20

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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

CARNAVAL A BRINCAR OU A SÉRIO?

Como sempre o Carnaval de Torres Vedras não dispensa os satíricos carros alegóricos. Este ano, como em todos os outros, houve um que me cativou particularmente o olhar e a consequente reflexão: esse carro evidenciava uma triste realidade, a abertura de clínicas de cirurgia estética e clínicas de aborto contra o encerramento de maternidades. E neste claro contraste há uma forte e óbvia mensagem: as pessoas estão cada vez mais egocêntricas e egoístas. Os problemas envolventes não importam, não interessa que ocorra um referendo… Sair de casa para votar?… Que maçada. Importam a beleza, o bem-estar, o conforto, a individualidade…
E importa facilitar a vida… Se o aborto ilegal continua a acontecer e é um incómodo as mulheres portuguesas irem a Espanha… então porque não legalizá-lo?
Depois... cada um terá a sua opinião. E eu tenho a minha. Tenho constatado entre amigos e colegas que votar sim está na moda. Hão-de haver aqueles que acham que é sinal de modernidade, há mesmo quem se atreva a afirmar que o sim é a ponte para que Portugal possa sair da Idade Média em que se instalou.
Além de não ser nada influenciada pelas opiniões alheias e muito menos pelas correntes ou pela moda, não concordo com nada do que tem sido dito... No Sim, não vejo a resolução do problema que todos tentam anunciar, mas a fuga ao mesmo problema. E aqui, apesar de demasiado vulgar, sem dúvida que a expressão tem aplicação: "se não os podes vencer, junta-te a eles." Logo, um dos grandes argumentos do Sim (e eu até compreendo que não é fácil fazer campanha pelo sim, os argumentos escasseiam quando se atenta contra uma vida), tem sido que o “não” propõe que as coisas permaneçam como estão e o “sim” a mudança. Ora, isto é, perante a incapacidade do estado português de controlar e impedir os abortos clandestinos, legalizam-se os mesmos, tornando tudo mais fácil, sobretudo para o próprio governo que, assim, já não pode ser acusado de incompetência. Porque não legalizar também as drogas? Já que o governo não controla o tráfico... (ou vão dizer-me que só na questão do aborto é que continuam a praticar-se ilegalidades?)

Por outro lado, o “sim” também se tem refugiado numa imagem marcante (ou nem por isso): mãos femininas atrás das duras grades. Nos últimos 30 anos não houve uma única mulher presa por ter cometido um aborto ilegal. Ora, mais uma vez, esse argumento também não me comove. Temos de proteger aqueles que não têm voz ainda, os mais fracos, as únicas vítimas desta situação.
Mas o auge das opiniões pró-escolha, foi o comentário de Lídia Jorge quando se referiu ao ser humano até às 10 semanas, como "essa coisa humana". Como escritora, em primeira instância, não foi certamente feliz na escolha das palavras, desonrando as letras com a sua ignorância e insensibilidade. Diz que vota pela modernidade, defendendo-se com os argumentos mais medievais que já ouvi.... Enfim...
Oito anos depois do primeiro referendo, há uma generalização crescente da facilidade com que as pessoas têm acesso à informação. O acesso a contraceptivos tem sido facilitado. A protecção deve ser a palavra de ordem... o aborto deve ser uma excepção e não banalizado ao ponto de se, "por opção da mulher" (e é isso que diz a pergunta) até às 10 semanas, poder ser considerado um cómodo contraceptivo.
Aterroriza-me a banalização do aborto... Aterroriza-me a opinião de médicos a favor da escolha, quando essa escolha compromete uma vida, quando essa escolha é resultado de uma mera "opção" egoísta da mulher. E eu sou mulher... Defendo que a mulher manda sempre no seu corpo, mas neste caso, não se trata apenas do seu corpo... mas de uma criança que vai ser gerada. E por mais que tentem fugir à questão, tentem evitar ficar sem resposta perante perguntas difíceis, não nos podemos esquecer que o milagre da vida começa no momento da concepção. Nesse momento há todo um padrão genético que é criado: a cor dos olhos, do cabelo, certos traços físicos e mesmo psicológicos, estão ali, naquela maravilhosa mistura genética". Às 10 semanas o coração já bate... Como é que um médico tem coragem de dizer que é a favor da escolha e contra a vida? ...
E depois restam as questões éticas... Agora, apenas por opção da mulher, pode fazer-se actuar uma "selecção não natural" e podem passar a abortar-se crianças com pequenos problemas facilmente resolvidos depois do nascimento ou, por vezes, mesmo durante a gestação.
E ainda outra questão não esclarecida... relativa, na minha opinião, a um dos públicos alvo: as jovens grávidas, menores de idade? Quem decide? Segundo a coerência dos argumentos, aquela referida "opção da mulher" deveria ser delas. O corpo é delas... Mas, no entanto, são menores de idade, é suposto necessitarem de autorização dos pais. Isto só prova que os problemas continuam a não ser resolvidos, apenas deixados e acumulados para trás. Muitas das vezes, as mulheres decidem fazer aborto, não por "opção sua" propriamente dita, mas coagidas por familiares ou pelo respectivo pai da criança. Estas jovens continuam a não ter opção... e a deixar que os outros decidam por si.
O “sim” ganhou e tudo vai mudar. Para melhor? Certamente não! Desacreditem-se aqueles que afirmam que o número de abortos vai diminuir, porque não vai. Aumenta, obviamente (e é esse o objectivo do “sim”) o número de abortos legais, agora com uma condição única: "até às 10 semanas por opção da mulher". Eventuais mulheres que poderiam ser dissuadidas pelo facto de ser ilegal ou ser incomum, com a legalização e consequente banalização do mesmo, isto representa um incentivo que poderá influenciar a sua decisão. Além disso, o “sim” não é a solução dos problemas. Não vão deixar de existir abortos ilegais... Nem sempre as mulheres têm tempo para realizar o aborto até às 10 semanas...
O primeiro-ministro repugna-me... Nunca há fundos, nunca há meios, para nada, nem mesmo para a Saúde, uma das áreas que deveria ser prioritária do governo. Mas para comparticipar abortos haverá... enfim...
Porque não fazer como na Carolina do Sul (Estados Unidos) em que está a ser aprovada uma lei, em que as mulheres que queiram abortar terão de ver uma imagem ultra-sónica do seu feto antes da interrupção da gravidez, os proponentes afirmam que as mulheres mudarão de ideias depois de verem a imagem do seu feto.

"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças."
Fernando Pessoa
 
"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças."
Fernando Pessoa
 

 
 
 
 
 

No referendo venceu o “sim”, é a sociedade que perde. Perde identidade, perde modernidade, perde valores, perde ... só tem a perder. O “sim” venceu e olharei para esta questão com a eterna mágoa banhada pelo sentimento de impotência... Mas que mais posso fazer? Nada. Apenas o que já fiz: a garantia do meu voto no não, um não ao aborto, um sim pela vida!!!
“Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana... Mas o quê?”
Antoine de Saint-Exupéry
publicado por Dreamfinder às 14:14

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